terça-feira, 22 de março de 2011

Mapas e Modelos Mentais


Prezados

O leitor Erickson me encaminhou o seguinte comentário:

Prezado Fernando
Qual a sua opinião sobre mapa e modelo mental?
E como pode ser relacionado com a Gestão do Conhecimento Organizacional?
Abraços.

Não sei se entendi claramente o que ele deseja saber quando me pergunta qual "minha opinião" sobre mapas mentais e sobre modelos mentais.

Quanto aos mapas mentais (para uma definição simples e objetiva, ver http://www.ogerente.com.br/produtividade/mm/mapas_mentais_definicao.htm ), minha opinião é de que são uma excelente ferramenta de construção individual de conhecimento e tenho visto casos em que eles podem ajudar a comunicação, ou seja, a transmissão de informação e até mesmo a construção coletiva de conhecimento.

Quanto aos modelos mentais bastaria dizer que eles são uma das cinco disciplinas do Aprendizado Organizacional definidas por Senge. Quem ainda não é muito familiarizado com o assunto pode recorrer ao livro de Senge "A Quinta Disciplina", ou, também de uma forma simples e objetiva, acessar http://www.infonet.com.br/fernandoviana/ler.asp?id=46032&titulo=Fernando_Viana, por exemplo.

Falando em Aprendizado Organizacional é interessante observar que venho encontrando com muita frequência a velha confusão de entender o Aprendizado Organizacional como sinônimo de Educação Corporativa, ou seja, a velha confusão entre "aprendizado da empresa" e "aprendizado na empresa".

Em suma, ambos, mapas e modelos mentais, desempenham importantes papéis na Gestão do Conhecimento Organizacional.

Os mapas mentais como uma ferramenta que aumenta a efetividade dos indivíduos e dos grupos.

Os modelos mentais podendo ser importantes fatores tanto alvancadores como também, e com muita frequêcia, limitadores devendo ser corretamente considerados. São eles, por exemplo, que fazem com que a gente associe conhecimento com ter aulas.

Por isso, às vezes me acontece passar duas horas explicando o que seria nossa definição de conhecimento, a partir dela a de conhecimento organizacional e finalmente definir Gestão do Conhecimento Organizacional como um metaprocesso que atua sobre as políticas, programas e processos de conhecimento, para no final alguém fazer cara de que entendeu tudo e me perguntar se programar os cursos do ano que vem é uma atividade de Gestão do Conhecimento Organizacional.

Forte abraço

Fernando Goldman

20 comentários:

Ferdinand disse...

Fernando
Esta questão de entender "conhecimento" em uma curta seqüência de parágrafos me remete ao Bertrand Russell. Ele dizia:" Todo problema tem ao menos uma solução simples, rápida e errada".
A mente humana é uma caixa preta que por raras vezes apresenta resultados extraordinários.
No popular mesmo, somos apenas bons de cópia e reprodução.
Abração
Ferdinand

Fernando Goldman disse...

Prezado Ferdinand

Afinal, os mapas mentais te parecem capazes de mudar o conhecimento organizacional ou não?

Erickson disse...

Prezado Fernando

Obrigado pelo seu breve relato era exatamente isso que eu queria saber.
Érickson

Erickson disse...

Prezado Fernando

Estou na faculdade, e nesse semestre estou tendo a disciplina de Gestão do Conhecimento, e mesmo que ainda não tenha me aprofundado muito sobre o assunto, eu acredito que os mapas mentais possam surtir efeito no conhecimento organizacional.
Grato

Érickson

Ferdinand disse...

Fernando
Claro que mapas mentais ajudam. Mas, como em tudo, depende muito de que faz. Penso que o exercício de fazer o mapa, é o mapa da mina! Receberes os mapas de alguém, é uma dica que pode por um aspecto ser contraproducente. Te desobriga a pensar. E aí já entras no prejuízo!
Abração
Ferdinand

Ferdinand disse...

Fernando
Uma ótima palestra que adiciona informação para que possas criar mais significado cobrindo este assunto é a palestra do "Tom Wujec on 3 ways the brain creates meaning" no TED.com
Abração
Ferdinand

Ferdinand disse...

Fernando
Mais uma apresentação imperdível do TED é a do Salman Khan - Let's use video to reinvent education.
É uma quebra de paradigma.
Muda tudo na aprendizagem.
Muito mais rápido do que poderíamos esperar.
KM vai ser fortemente impactada.
Forte abraço
Ferdinand

Prof.: JOSÉ CARLOS disse...

Vim conhecer seu espaço e gostei muito! Muito seleto e diversificado. Parabéns. A educação é a base do ser humano para sua vida em sociedade e para uma vida feliz. Também sou educador e vejo que nossa base holística é o caminho mais ameno a seguir, repleto de aprendizados diários em rumo a uma qualidade de vida equilibrada.
Obs: Me tornei seu seguidor.
Prof. José Carlos
http://projetosead.blogspot.com/

Ferdinand disse...

Fernando
Esquecí de comentar que quem fechou a apresentação do Salman Khan foi o tio Bill (Bill Gates).
Fora o tino para negócios, o tio Bill tem se aplicado em promover o desenvolvimento global, como mostram as palestras e programas que ele apoia/financia.
Se não estou enganado eu já disse isso uma vez aqui: O programa de KM deve garantir que todos envolvidos estejam no caminho mais curto para a proficiência do idioma inglês. Acho até que as empresas deveriam fazer um esforço, prover recursos e colocar no programa de avaliação de desempenho.
Abração
Ferdinand

Ferdinand disse...

Fernando
Em um dos artigos do Khaneman e Shane Frederick que li faz tempo ficou de relevante:
-Most judgements and most choices are made intuitively.
-Intuitive thoughts seem to come spontaneously to mind, without conscious search or computation, and without effort.
-Reasoning is done deliberately and effortfully.
Isto ajuda a fazer emergir uma diferença entre “modelos mentais” e “mapas mentais”. O nosso modelo mental é como funciona a nossa mente, preferêncialmente no modo intuitivo. O mapa mental é quando se coloca as ideias no papel, e elas só vão para o papel através de esforço racional.
O conhecimento só começa a emergir quando se doma o impulso intuitivo (pura ilusão por default), verificando a adesão de nossa intuição preditiva com a resposta que colhemos na prática.
Forte abraço
Ferdinand

Fernando Goldman disse...

Ferdinand

Quanto a diferença entre “modelos mentais” e “mapas mentais”, achei seu comentário muito interessante e pertinente.

Quanto ao conhecimento só começar a emergir quando se doma o impulso intuitivo, acho precisamos trabalhar melhor estas ideias, pois muitos pesquisadores do conhecimento reconhecem que algumas respostas que são dadas intuitivamente se beneficiam do conhecimento tácito encorporado nos agentes, não sendo afetadas pelo processamento consciente de informações, o qual muitas vezes retarda o tempo necessário a agir corretamente.

Forte abraço

Fernando Goldman

Ferdinand disse...

Fernando
Ainda sobre modelos mentais e mapas.

Nossos modelos mentais são como trilhos, dos quais não conseguimos escapar. Aprender é mudar certas rotas, ou extensão da malha.
No modo intuitivo operamos por atalhos. Mas saltamos por sobre os trilhos por rotas preferenciais.
Certos conceitos se fixam e aprisionam nosso “modus operandi”.
Agora quando tens que por algo no papel (ou na tela), tens que pensar, ordenar etc... Aí, segundo meu amigo Oliver Sachs, entram em operação outros circuitos neurais. O resultado pode continuar sem correlação com a dita realidade mais é bem diferente do modo intuitivo de pensar.

Forte abraço
Ferdinand

Ferdinand disse...

Fernando
Vamos agora ao conhecimento.
Nosso intuitivo (tácito) é o modo “pensar” sem ser por intermédio da linguagem. Emerge de estruturas neurais mais primitivas que herdamos através da evolução. Estas estruturas são acionadas primeiro, e elas são tão boas que nos trouxeram até aqui. Só que transformamos tanto nossa realidade que já não mais estamos preparados para lidar com a complexidade dela. Vivemos num mundo cheio de mitos e lidamos com ele através conceitos que aceitamos sem nenhuma prova.
Penso que somos tão “crentes” nestes mitos porque é mais fácil concordar. Para discordar da massa da trabalho e pode ser perigoso (ainda hoje é assim).
Nossa intuição só tem sua probabilidade aumentada de “colapsar” com a realidade, quando se trata de um problema em um sistema que conhecemos bem. Por isso é tão importante a prática, e esta só se adquire com esforço, sagacidade e persistência. Certamente podes acertar com a intuição sem conhecimento, é o que acontece com as loterias. Só que a probabilidade de acerto é diminuída em algumas ordens de grandeza.
O pensar racional é lento (diversos autores dizem que processamos cerca de 40 bits por segundo no modo racional), enquanto que o cérebro recebe e processa 11 megasbits ( a maior parte é para o sistema visual). Com essa velocidade de processamento é claro que demora resolver até problemas simples de aritmética.
Não há como competir com o intuitivo em velocidade.
Só há que cuidar em qualidade.
Especialmente se precisamos estar certos!
Abração
Ferdinad

Ferdinand disse...

Fernando
Utilizei a construção "....começa a emergir quando se doma o impulso intuitivo,...." porque se deixares o impulso exuberante em sua pureza, e concentrares as energias segundo o mesmo sem os "breeches" da racionalidade, retornamos à era das cavernas pelo mais curto atalho possível.
Os déspotas são mais ou menos assim em seu modo default. Mas quando se sentem ameaçados usam da mais cristalina racionalidade para se manterem no poder.
Claro, estas são simplificações toscas, os fenômenos subjacentes são mais complicados, complexos até, pois se trata de comportamento dos humanos.
Forte abraço
Ferdinand

Ferdinand disse...

Fernando
No paper "An Excerpt from: The New Knowledge Management" do McElroy de 2002,que decerto conheces, aparece a seguinte colocação que queria dividir com os leitores.
"Knowledge (in the form of mental models) according to CAS (complex adaptive systems) theory, can be represented by "rules" that agents follow in their ongoing attempts to adapt themselves successfully to their environment. Rules in this sense, are roughly equivalent to our notions of beliefs and belief predispositions."
Achei interessantíssimo esta correlação entre conhecimento e modelos mentais.
Forte abraço
Ferdinand

Ferdinand disse...

Fernando
Mais uma citação do mesmo paper, que me chamou atenção apenas hoje (e olha que estou relendo): "We are rational to the extent that we are open to criticism, including self criticism: and to the extent to which we are willing to change our beliefs when confronted with what we judge to be good criticism"
Esta é atribuida ao Notturno.
Penso que devia ser um dos axiomas da KM.
Forte abraço
Ferdinand

Ferdinand disse...

Fernando
Voltando ao "quando se doma o impulso intuitivo..."
Decerto concordas que o Einstein teve que "domar" as fantasias que fazia ao se imaginar viajando na ponta de uma frente de onda de luz. Consta que este domar levou mais de década até emergir a teoria da relatividade restrita.
O "domar" utilizado pelo Thomas Edison era muito mais cruel, com o próprio chicote do pragmatismo.
O Arquimedes já devia estar enjoado de tomar banho, e brincar com a coroa do monarca, quando finalmente emerge a solução e sai com o mítico "Eureka"!!
Agora se se tiver utilizando o TRIZ do Altshuller, “o domar” pode acontecer mais rapidamente.

Quando os executivos dizem que decidiram por intuição, eles se esquecem que via de regra estão dormindo com o dito problema por algum tempo, e a dita (percebida) intuição é a melhor entre inúmeras que tiveram ao longo do processo. Claro, a adotada vai ser lembrada com mais intensidade, especialmente se foi um sucesso. Parece que nossa mente apaga o que não interessa.....
Bem é isto que tenho visto nos livros.
Forte abraço
Ferdinand

Eduardo disse...

O site http://www.mapasmentais.com.br/ oferece vários recursos para elaborar mapas mentais.

Abs,
Eduardo.

Ferdinand disse...

O próximo passo parece ser a análise apresentada pelo Eric Berlow, na palestra TED intitulada "How Complexity Leads to Simplicity".
Um método elegante de extrair significado de redes construidas a partir de mapas mentais enormes. Aos quais ele se refere como "complicados". Só não ví menção ao software utilizado.

Fernando Goldman disse...

Prezado Ferdinand

Minha sugestão é que sempre que fizer um comentário sobre o TED, ou outra fonte qualquer, forneça o link para o site citado.

Forte abraço

Fernando Goldman