sábado, 21 de agosto de 2010

Mais sobre a diferença entre informação e conhecimento

Prezados

Passeando pela Internet cheguei a uma postagem da Ana Neves em seu blog KMOL (http://kmol.online.pt/ ).

A referida postagem é de 28 de Setembro de 2009 e está disponível em http://kmol.online.pt/blog/2009/09/28/informacao-conhecimento-e-gestao-de-conhecimento .

Nela, Ana Neves nos relata ter lido numa tal de Notícias Magazine (a revista do Diário de Notícias, como ela nos informa) uma entrevista com o médico e professor de saúde pública Constantino Sakellarides, sobre a gripe A H1N1.

Como não poderia deixar de ser, ela se declara espantada com uma resposta do médico, que continha a seguinte declaração:

“Informação e conhecimento são realidades muito diferentes. A informação é algo exterior a nós, a que estamos expostos continuamente, que circula enquadrada num contexto e numa estrutura que lhe dá sentido. Ao contrário, o conhecimento é algo de intrínseco, como alguém disse «é parte do nosso negócio que transportamos connosco», é alguma coisa que faz parte de cada um de nós. Por isso podemos estar continuamente expostos à informação e não sermos capazes de tomar decisões informadas e inteligentes porque nos faltam as «chaves críticas» que permitem transformar a informação em conhecimento.”

Em outro trecho, o médico afirma:

“O importante é comunicar de forma que permita às pessoas transformar informação e orientações genéricas – a informação que é dada para todos independentemente das suas circunstâncias – em noções ou ideias que façam sentido perante a situação de cada um – o tal conhecimento que permite tomar decisões pessoais e concretas em função das nossas circunstâncias de vida.”

Tem razão a Ana em dizer que não é sempre que se vê alguém falar sobre a diferença destes dois conceitos, informação e conhecimento, com tanta propriedade.

O doutor Constantino deve andar lendo literatura de Gestão do Conhecimento de boa qualidade em suas horas vagas, pois mesmo nas ciências econômicas, na administração e uma enorme variedade de áreas de estudiosos do tema é pouco comum se encontrar uma visão tão bem definida da diferença entre informação e conhecimento.

Parabéns ao doutor Constantino Sakellarides[1], seja ele quem for.

Forte abraço

Fernando Goldman

[1] Constantino Sakellarides - Nascido em 1941 (Moçambique), nacionalidade portuguesa, casado, pai de três filhas. Licenciado em Medicina (Universidade de Lisboa, 1967). Mestre em Epidemiologia (Escola de Saúde Pública da Universidade do Texas, 1972). Doutor em Saúde Pública (Escola de Saúde Pública da Universidade do Texas, 1975). Experiencias profissionais mais recentes: Primeiro Director Académico da “Escuela Andaluza de Salud Pública” (1985-1987) Director para as Políticas de Saúde e Serviços de Saúde da OMS/Europa (1990- 1995); Presidente do CA da Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo(1996); Director Geral de Saúde de Portugal, (1997 – 1999); Situação actual: Director da Escola Nacional de Saúde Pública (Universidade Nova de Lisboa); Professor de Políticas e Administração de Saúde na Escola Nacional de Saúde Pública (Universidade Nova de Lisboa); Presidente da Associação Portuguesa para a Promoção da Saúde Pública; Presidente-eleito da Associação Europeia de Saúde Pública.( Segundo http://www.clbsers.uevora.pt/Biografia%20Convidados%20FCT.pdf )

11 comentários:

Thiaguinhonhonhonho disse...

Bem legal essa postagem. Parando pra pensar, a difusao do conhecimento ainda eh um desafio enorme, principalmente pelo fato de as pessoas confundirem os conceitos. Lotam os meios de comunicacao com informacoes, na intencao de disseminar o conhecimento. Bem interessante!

Ferdinand disse...

Uma boa forma de exemplificar a diferença entre informação e conhecimento é a seguínte: Suponha que você tenha recebido um endereço ainda não conhecido seu, este endereço é a "informação" ( se estver certo). Uma outra pessoa que sabe ir no tal endereço, possui o "conhecimento". Simples assim!

Fernando Goldman disse...

Prezado Ferdinand

O nome Schubert Magalhães te diz alguma coisa?

Forte abraço

Fernando Goldman

Ferdinand disse...

Prezado Fernando

Não ví ainda nenhuma referência ao nome do Shubert, também não dá para saber de tudo o que ocorre no mundo. Podias ter perguntado por alguém mais fácil. Como Kahneman, Slovic, Dawkins, Penrose, Nahin, Fine, Klein, Solms, Metzinger......
Bem, vou verificar no google, espero aprender algo, e rápido.

Grato pela indicação

Fernando Goldman disse...

Prezado Ferdinand

Repare que você não sabe quem é Schubert Magalhães, mas sabe que provavelmente o nome dele deve ser escrito como Shubert.

Sabe usar a ferramenta Google e sabe que se for a ela, vai descobrir alguma coisa.

Possivelmente reparará no contexto criado pela sua mensagem inicial e perceberá que há uma rua no Rio de Janeiro com este nome.

Se ficar curioso ou caso precise ir até lá, provalmente, conseguirá reunir os elementos necessários para saber como se chega lá.

Por aí você vai percebendo que o seu conhecimento não consiste em saber onde fica a Rua Shubert Magalhães, mas sim sua capacitação para agir quando confrontado com o simples dado "Schubert Magalhães". Transformá-lo em informação útil e combiná-la com suas habilidades e conhecimentos para lhe possibilitar uma ação eficaz, caso você deseje ou precise ir até lá.

Forte abraço

Fernando Goldman

Ferdinand disse...

Prezado Fernando.
Acabei digitando Shubert em vez de Schubert por mero lapso, nem nunca havia visto a grafia deste jeito. Desculpe. O que você denomina "informação útil" chamo apenas de informação. Informação "não útil" chamo de "dados". Sua argumentação mostra que é possível obter resultados apenas com informação, sem o dito "conhecimento". Mas para passar da informação para o conhecimento há que se investir energia e tempo. Isto também só é válido para o "conhecimento codificável", não é válido para o tácito.
Abração

Fernando Goldman disse...

Prezado Ferdinand

Você tem razão quando diz que para passar da informação para o conhecimento há que se investir energia e tempo. Significa dizer que o ato de conhecer envolve o ato de pensar.

Mas não entendi quando você disse que "Isto também só é válido para o "conhecimento codificável", não é válido para o tácito".

Será que existe um conhecimento puramente codificável?

Forte abraço

Fernando Goldman

Ferdinand disse...

Fernando (proponho que deixemos a formalidade de lado)
Mostraste que o comentário sobre "conhecimento codificável" acabou sendo percebido de forma diversa de minha intenção. Desconfio que o conhecimento codificável é aquele que consegues extrair (reconstruir)de um meio como instruções;especificações;midias, etc. Não codificáveis seriam: definição de odores,cores,aprendizado de habilidades tais como andar de bicicleta etc.... O tácito, seria o "não codificável"...
A,
Ferdinand

Fernando Goldman disse...

Espero que você não se incomode de eu aproveitar seu comentário para fazer uma nova postagem. Como sei que o assunto interessa a outras pessoas, prefiro compartilhar de uma forma mais visível.

Aguardo seu comentário lá.

Forte abraço

Fernando Goldman

Fabio disse...

Fernando,

Ao meu ver, informação é uma forma de conhecimento, porém de maneira bruta, onde é preciso ser trabalhado, ou seja processado em cada célebro para se tirar um aprendizado disse. É a chave critica mesmo que deve ser usada

Fernando Goldman disse...

Prezado Fabio

Sugiro que você leia, ou releia, o capítulo 3 de The Knowledge Creating Company. Em especial, o tópico intitulado "Conhecimento e Informação".

Forte abraço

Fernando Goldman